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Paulo J Lourenço’s Blog

Rui Mateus: Contos Proibidos – Memórias de um PS Desconhecido

Não é por se dizer a palavra cidadania

Dizia Pacheco Pereira na sua crónica da Revista Sábado de 14 de Abril de 2011, a propósito da nova aventura política de Fernando Nobre, “não é por se dizer, a cada três frases, a palavra “cidadania” que isso dá conteúdo a uma intervenção política”.

Ora, deste “independente” que já promoveu a cidadania apoiando Durão Barroso; apoiando Mário Soares; estando contra Cavaco e Alegre para apoiar Soares um não-candidato presente por procuração; sendo apoiado pelo Bloco (de Esquerda?); sendo mandatário pelo BE nas eleições europeias… veio a 16 de Abril de 2011 mais um conjunto de “tesourinhos” na sua entrevista ao jornal Expresso.

A entrevista inicia-se com uma pérola na história do pensamento político: “A proposta que me foi feita por Pedro Passos Coelho nunca me tinha passado pela cabeça: ser o primeiro candidato por Lisboa, com o exclusivo e inequívoco propósito de ser proposto pelo PSD para presidente da Assembleia da República”. Ora, é bem de dizer, que tal diatribe não passaria em verdade pela cabeça de ninguém. É que, as listas de candidatos a deputados servem para que os portugueses elejam os seus representantes nas tomadas de decisões legislativas e políticas e não para exclusiva e inequivocamente eleger candidatos a presidente da Assembleia da República. Para além de revelar uma concepção pouco ética e amoral da função dos partidos políticos, revela uma total falta de respeito pelas instituições de soberania e pelo povo português.

É estranho também, Fernando Nobre afirmar que a proposta foi feita por Passos Coelho. Durante o fim-de-semana passado vários elementos do PSD, incluíndo o próprio Passos Coelho, afirmaram que é  Fernando Nobre que deve esclarecer o que se passa. E assim, Passos Coelho encontra-se mais uma vez na situação de ninguém saber muito bem quem está a ser “inverdadeiro” em mais uma história deprimente que todos dispensavam, a começar pelo Partido Social-Democrata.

O Sr. Nobre continua, confirmando a sua óptica instrumentalista das instituições: “Se, seja porque razão for, eu não puder ser nomeado presidente da Assembleia, renuncio imediatamente ao mandato de deputado”. O primeiro comentário que ocorre é… f*****! “Nomeado para presidente da assembleia”? Ninguém tinha ainda reparado que o cargo era exercido por nomeação. O Sr. Nobre anda mais atento que todos nós e foi o primeiro a notar que já não é necessário ser eleito pelos parlamentares com maioria qualificada para exercer esse cargo. Basta uma nomeação, para quê perder tempo com questões menores como a legitimidade para exercer cargos desta pouca importância? Por outro lado, se fôr eleito deputado mas não presidente da Assembleia, amua e desiste do mandato para o qual foi eleito.

Esta originalidade do pensamento político de Nobre talvez devesse ser seguida por todos os que constam das listas a deputados. Todos fariam parte das listas para poderem ser nomeados exclusiva e inequivocamente para alguma coisa. Assim, se nenhum deputado fosse nomeado para o cargo a que ia, poderiamos ter a Assembleia vazia pois todos teriam que renunciar imediatamente no momento seguinte. Isto seria uma óptima medida de contenção de despesas públicas. Por outro lado, finalmente percebíamos o porquê dos partidos. Serviriam, de forma clara e inequívoca, para nomear pessoas para cargos mais ou menos prestigiantes. Não seria a competência no exercício dos mandatos ou a experiência que contavam mas a nomeação para os cargos o propósito dos nossos partidos políticos. Porquê ficarmos pelos conselhos de administração das empresas mais ou menos públicas, mais ou menos privadas? Se dúvidas houvesse, o Sr. Nobre acaba de as desfazer, a bem da clareza, da frontalidade e dos exclusivos interesses da democracia portuguesa.

Continuando este périplo, diz o Sr. Nobre, “seria mais fácil estar cinco anos como espectador” (fácil mesmo seria estar mais 50 anos como espectador. Para todos nós). “Ghandi dizia que só quem não procura a verdade não muda de opinião”. Ora, Ghandi, irreconhecidamente um profissional da mudança de opinão não tinha adquirido a experiência do Sr. Nobre neste domínio. Logo, Ghandi não sabia do que falava. Ghandi não era nenhum paladino da “cidadania”.

Diz ainda que tem recebido muitas mensagens de apoio. Tantas que foi forçado a optar pelo encerramento da sua página no Facebook. As farms de servidores da Facebook não suportaram tal afluxo de mensagens de apoio. Foram dias duros nos centros de dados da Facebook. Mas, diz, “A página do Facebook não tinha de estar aberta a todos os insultos. Houve vários lóbis que se concentraram em ataques pessoais ao meu carácter”. O Jornal Expresso publica exemplos destes lóbis corporativos, o lóbi Maria de Fátima Campos, Jordi Vaz, Orlando Silva, Amélia Castro, Nuno Soares… Não publicou o lóbi Paulo J Lourenco pois este não teve tempo nos dois dias que chegaram para fechar a página para fazer o seu ataque pessoal ao carácter do Sr. Nobre.

Enfim, continua dizendo que se fôr eleito continuará a ser independente, “geralmente o presidente da Assembleia não vota, e eu tenciono seguir essa regra, a não ser em questões fulcrais”. Não vota, mas se lhe parecer uma questão fulcral… vota! Mais uma originalidade do seu pensamento político: vota quando lhe apetece. Em total coerência com a forma de cidadania dos restantes portugueses, portanto. Será ele a decidir quais são as questões fulcrais para todos os portugueses. Não vota… mas vota!

Diz ainda não conhecer o programa eleitoral do PSD pois ainda não o viu (??!!!) “Mas confio em Passos Coelho, que considero um homem de bem”. Nós teremos que confiar no Sr. Nobre para reconhecer um homem de bem quando um se lhe apresenta?

Quanto à forma como exerceria o mandato de presidente da Assembleia, uma vez que se trata de um cargo não conhecido por marcar a agenda política…

[nota: O Presidente representa a Assembleia da República, dirige e coordena os seus trabalhos e exerce autoridade sobre todos os funcionários e agentes e sobre as forças de segurança postas ao serviço da Assembleia. No elenco das suas competências, previstas no Regimento, incluem-se a presidência das Reuniões Plenárias, da Conferência dos Representantes dos Grupos Parlamentares, da Comissão Permanente bem como a admissão das iniciativas legislativas e a assinatura e envio dos Decretos da AR ao Presidente da República para promulgação. Compete-lhe, em geral, assegurar o cumprimento do Regimento e das deliberações da Assembleia].

“É a pessoa que marca o lugar. Se lá chegar garanto que marcarei à minha maneira, com as minhas convicções (…)”.

Tudo isto me faz lembrar um episódio da vida de Platão que, admirado por um filósofo pitagórico que governava Siracusa e se considerava seu amigo, Dionísio, foi convidado a intervir com as suas opiniões no governo da ilha. Acabou vendido no mercado de escravos como forma de ser exilado da ilha que o tinha acolhido.

How to Use Humanitarian Missions as Covers for Political Actions

It has been a common practice in several areas of the globe since ever. A bit the same way as the world powers use it as a way to project their power even further. In Foreign Affairs any territory with a “real politik” approach to the international relations regards humanitarian missions as a tool to aid in attaining certain objectives.

I have been watching the news about a so called Israel’s deadly raid on a Gaza-bound aid flotilla. I have collected as much news in the form of sound, video and writings as I can about the issue and frankly I have never seen such a mess. This is somewhat typical whenever we are in the presence of anything relating to middle east.

The first thing I found odd about this was the logistic operation by the “peaceful activists”. Usually, serious NGOs like the Red Cross/Crescent or even the UN humanitarian organizations, negotiate with the administrative power of a territory the delivery of humanitarian help. That way, when the convoys arrive at a certain area the authorities already know what’s all that about. That way the routes and actions are already accorded and predefined. It strikes me as odd that the “humanitarian help” didn’t know they were trying to navigate through a naval blockade. It also strikes me as odd that nothing in this convoy seemed prepared except for deliberate provocation time after time.

I organized the video footage chronologically and this is what I get from all the videos:

1. The flotilla arrives at an area of naval blockade. The entire world knows that area to be blocked for months. The “peaceful activists” don’t seem to know that. What kind of activists are these?? Poorly informed ones although this is supposed to be their subject matter of intervention? Right.

2. The Israeli navy warns by radio contact about the naval blockade.

3. Unfortunately I don’t have any video about the replies from the activists (I might as well stop calling them “peaceful”. We’ll see in a moment why).

4. The Israeli navy warns again about the blockade and suggests another route for the vessels! (implies the acceptance of the activists’ mission, only by another route).

5. The activists ignore the warnings and try to force the blockade and the Israeli navy warns they will take action against them if they proceed.

6. The next videos I see, depict Israeli’s marines boarding one of the vessels. On the deck there was already a crowd with iron clubs, chairs, sticks, knives and all sorts of weapons ready to receive the military. STOP EVERYTHING HERE! WTF???? “Peaceful” activists were already organized in a mob in a vessel to attack marines prior to the boarding????? Double WTF??? Let me get this straight… so, during all the time when the Israeli navy was discussing the whole affair with the captain of the ship what was he doing? Urging the activists to resist the possible boarding? Preparing them to attack military personnel??? The usual procedure is to warn everybody to stay put in their places, don’t offer resistance and then be there to negotiate with the military office in charge without putting the passangers at risk! Okay, enough said about the “peaceful” motives of these activists, let’s move forward.

7. Israeli navy storms one of the vessels, the reception committee starts a fierce attack with all the weapons available and throw a military overboard!!! This is order and peace at its best!  In one video one can see someone with a baby trolley (again, WTF??? What was the baby doing there in that sort of mission? Was there really a baby or a tipical poor show for the cameras? What kind of mother and father takes a baby in such a voyage???).

8. The marines strike back causing about 10 people to die.

9. Redactions of the major news networks and agencies start being flooded with incomplete, biased news about an unprovoked deadly raid from the Israeli’s against peace loving turkish organizations. The European Union starts the usual festivities of non-sense and the sad show of weakness and division.

9. Israeli releases the activists. They are so concerned with the peace mission they were supposed to take to good term that they make the “V” upon release. “V”?? Oh, really? So, you delivered the aid you were supposed after all? Or “V” as in “we achieved the goal of making everything a bigger mess than it was before? Again, not suspicious at all.

It’s a pitty and a shame that people who organize a convoy with political provocation ends in 9 dead people. My conclusion is a note to the Israeli and European authorities: you should know better than this and take measures against possible premeditated provocative actions from such unhonored people and their organizations.

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