Carta de Condução – Ontem e Hoje
Quais as diferenças entre tirar a carta de condução de categoria B nos anos 90 e actualmente?
Contexto pessoal
Não gosto muito de automóveis. Quais as desvantagens que lhes encontro? Continuam a usar derivados de petróleo ou outros combustíveis poluentes para funcionarem, ocupam demasiado espaço, e são máquinas puramente mecânicas, que dependem quase exclusivamente da atenção, boa forma física e mental e perícia dos condutores, e do civismo e calma – que regra geral não é muita. Os condutores tratam-se na estrada uns aos outros como gostariam de o fazer noutros locais. Mas na estrada é mais fácil adoptar esses comportamentos com os resultados que todos conhecemos. Como cereja em cima do bolo há demasiadas pessoas concentradas em meio urbano o que implica excesso de veículos, poucos lugares de estacionamento e caros. Desde o último ano um problema acrescido: o custo dos combustíveis e das portagens. Resumindo: os automóveis são algo interessante… numa pista.
Vantagens: aumento da mobilidade (o que não é de desprezar em termos profissionais com a inevitável deslocalização das empresas para áreas mais afastadas dos centros das cidades, onde não existem transportes públicos e onde as distâncias a percorrer são cada vez maiores), custo concorrencial com o transporte público (o transporte público está mesmo pela hora da morte em termos de preços), conforto.
No princípio da década de 90 tentei tirar a carta de categoria B e, após chumbo no exame de condução, apenas voltei a tentar novamente no ano de 2008. O motivo desta nova tentativa? Motivos profissionais ou relacionados com actividades que desenvolvo ou pretendo vir a desenvolver.
Quais as diferenças que encontro?
Em termos gerais tem sido feita uma aproximação ao nível de exigência de outros países europeus. O nível de exigência e dificuldade tem aumentado em vários países europeus e não apenas em Portugal. Compreende-se: a situação europeia actual de demasiados condutores, pouca preparação, maus hábitos de civismo e segurança tem mantido o número de vítimas de acidentes de estrada elevadissímos por todo o mundo.
De há 10 anos para cá iniciou-se um processo de tentativa de inversão destas tendências. A tolerância para comportamentos agressivos, competitivos é bastante falada no ensino e a legislação tendencialmente pune com maior rigor esses casos. As atitudes de “sou um grande condutor”, “conduzo há muitos anos e por isso controlo todas as situações” começam também a ser fortemente penalizadas. Em Portugal e Espanha os resultados têm sido francamente bons e espero que se prossiga esta tendência.
Código
a) O ensino do código parece-me mais sistematizado hoje em dia e achei os instrutores mais bem preparados e mais profissionais;
b) Mais alguns sinais (especialmente informativos);
c) As inspecções periódicas obrigatórias para todos os tipos de veículos fazem agora parte da matéria;
d) A existência de mecânica na matéria leccionada;
e) Mais matéria sobre o veículo (equipamentos de segurança, visibilidade, transporte de passageiros e carga, poluição e ambiente, etc) e o estado físico e psicológico do condutor.
f) O grau de exigência é ligeiramente superior quer em ambiente de escola quer no exame (as escolas só propõem os alunos a exame se passarem num determinado número de testes na escola, por exemplo);
g) A qualidade do ensino está mais standartizada e de melhor qualidade (tal como os formadores de informática, os taxistas e outras actividades, o instrutor deve agora frequentar cursos regulares);
h) O exame está informatizado, é muito utilizada a língua portuguesa na avaliação da percepção da lógica e do conhecimento da matéria, e sai matéria de forma aleatória mas sobre todos os módulos. Em resumo: é mesmo necessário conhecer toda a matéria e um bom domínio da língua portuguesa é muito vantajoso. O exame de código é, hoje em dia bem mais exigente;
i) Passa-se o exame com 3 respostas erradas ou menos no total (deixando de haver a distinção entre erros de sinais e de regras de trânsito, nesse aspecto); Os exames, devido à sua natureza aleatória são diferentes para cada um dos alunos.
j) Maior fiscalização das escolas e alunos;
Condução
a) Maior standartização do ensino. A disparidade de qualidade entre instrutores diminuiu bastante. Apesar de continuarem a existir instrutores com vocação e uma muito elevada qualidade, mesmo os mais fracos têm conhecimento das técnicas pedagógicas e do ensino técnico para poderem ser eficazes;
b) Maior atenção dada à aplicação do ensino teórico na prática (as situações ensinadas na teoria são de facto vividas na prática);
c) Condução em via rápida e auto-estrada;
d) A prova das aptidões e do comportamento é única e realizada em duas partes prestadas sequencialmente, sendo a primeira realizada em parque de manobras e a segunda em percurso de exame inserido em condições normais de trânsito urbano e não urbano (pode incluir a circulação em auto-estrada ou via reservada a automóveis ou motociclos e condução nocturna). Enquanto não existem parques de manobras em todos os centros de exames, aqueles que não o tenham, realizam o exame totalmente em área de trânsito normal;
e) A duração mínima do exame é de 40mn e a duração máxima é de 55mn (para as categorias C ou superiores o mínimo é de 60mn e o máximo de 75mn).
f) No início da prova das aptidões e do comportamento, serão formuladas ao candidato, pelo examinador, três questões. Estas questões poderão incidir sobre limpa-párabrisas, estado dos pneumáticos, sistema de direcção, sistema de travagem, fluidos, luzes, catadióptricos, indicadores de mudança de direcção e sinais sonoros, bem como sobre a colocação e ajustamento de um dispositivo de retenção de crianças.
g) De seguida, o candidato deve proceder à preparação para a condução em segurança, sendo avaliado nas seguintes exigências: 1) Regular o banco na medida necessária e os apoios de cabeça, caso existam, a fim de encontrar a posição correcta; 2) Regular os espelhos retrovisores; 3) Colocar e regular o cinto de segurança; 4) Confirmar se as portas estão fechadas.
h) Items avaliados na condução: Iniciar a marcha; Circular em rotunda; Estacionar e sair de um espaço de estacionamento paralelo, oblíquo ou perpendicular, tanto em terreno plano como em subidas ou descidas; Proceder à travagem de serviço e de emergência; Circular em marcha-atrás contornando uma esquina ou lancil à direita ou à esquerda, mantendo uma trajectória correcta; Reduzir a velocidade com utilização da caixa de velocidades; Arrancar após o estacionamento, após uma paragem no trânsito e em saída
de um caminho de acesso; Circular em vias de alinhamento rectilíneo e curvilíneo, com cruzamento de
veículos, incluindo em passagens estreitas; Circular ao lado de obstáculos, designadamente de veículos estacionados; Circular em rotundas, passagens de nível, paragens de transportes públicos colectivos, passagens para peões e subida e descida de inclinação acentuada com, pelo menos, 8% de inclinação; Abordar e atravessar cruzamentos e entroncamentos; Executar mudança de direcção para a esquerda e para a direita; Executar pré-selecção, mudança e condução em pluralidade de vias de trânsito; Entrar e sair de auto-estradas ou vias equiparadas: acesso pela via de aceleração e saída pela via de abrandamento; Ultrapassar e ser ultrapassado por outros veículos, se possível; Tomar as precauções necessárias ao sair do veículo.
Causas de Reprovação com apenas 1 erro (uma ocorrência)
1 – O exercício de condução que põe em causa a segurança imediata do veículo, dos seus passageiros ou dos outros utentes da via pública que exija a intervenção do examinador.
2 – A verificação de falta durante a circulação:
a) Em vias de alinhamento rectilíneo e curvilíneo, com cruzamento de veículos, incluindo em passagens
estreitas;
b) Ao lado de obstáculos, designadamente de veículos estacionados;
c) Em rotundas, passagens de nível, paragens de transportes públicos colectivos, passagens para peões e subida e descida de inclinação acentuada com, pelo menos, 8% de inclinação;
d) Abordagem e atravessamento de cruzamentos e entroncamentos.
3 – A prática de qualquer contra-ordenação grave ou muito grave.
4 – Embater em qualquer obstáculo, de forma descontrolada.
Outras causas de reprovação
1. Acumular mais de 15 faltas em toda a prova;
2. Deixar o motor parar 3 vezes por imperícia;
3. Acumular 3 faltas consecutivas na execução de uma manobra.
Por informações recolhidas o nível de exigência em Espanha é, neste momento, maior. A percentagem de chumbos em exame de código e condução subiu imenso em Portugal mas apesar disso, noutros países, a percentagem de chumbos (em várias tentativas) é muito maior que a portuguesa.
Após conclusão com sucesso do exame de código, o candidato tem 6 meses para concluir com sucesso o exame de condução. Se não o fizer, o exame de código prescreve e o candidato terá que retomar o código do início.
A carta é provisória durante 3 anos e não 2 como há 10 anos atrás, a acumulação de 5 contra-ordenações graves ou 3 muito graves implica a perda da carta.
De referir que, em vários países europeus, nomeadamente na Península Ibérica, existem neste momento grupos de trabalho para início da implementação da carta de condução por pontos.
dfs
hui
Friday, 14 November 2008 at 1:18:19
deixar parar mais de 3 vezes o motor por imperícia e nao 3 vezes
Anonymous
Wednesday, 4 November 2009 at 0:36:34