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Ah! A Selvageria Desta Selvageria!
Ah! A selvageria desta selvageria! Merda
Pra toda a vida como a nossa, que não é nada disto!
Eu pr’àqui engenheiro, prático à força, sensível a tudo,
Pr’àqui parado, em relação a vós, mesmo quando ando;
Mesmo quando ajo, inerte; mesmo quando me imponho, débil;
Estático, quebrado, dissidente cobarde da vossa Glória,
Da vossa grande dinâmica estridente, quente e sangrenta!
Arre! por não poder agir de acordo com o meu delírio!
Arre! por andar sempre agarrado às saias da civilisação!
Por andar com a doceur des moeurs às costas, como um fardo de rendas!
Môços de esquina – todos nós o sômos – do humanitarismo moderno!
Estupôres de tísicos, de neurasténicos, de linfáticos,
Sem coragem para ser gente com violência e audácia,
Com a alma como uma galinha presa por uma perna!
Álvaro de Campos, Ode Marítima, in Revista Orpheu, nº 2 (Abril de 1915)
Maputo
Written in the 80’s.
Na minha terra
Também há um rio,
Esse rio não é também o Tejo.
É rio d’água porém
Que não dorme no leito.
Vai, acordado pelas armas,
Querendo amor com o mar.
Vai, chorado pelas pedras,
Polindo pedras d’água,
Corado pelos homens
De baladas de sangue
Às mãos d’armas negras
E de balas de prata.
Na minha terra há o único rio
Que é rio sem ser Tejo,
Corre um rio rubro,
Corre um rio Maputo.